Blue Velvet

sexta-feira, março 31, 2006

O avaliador

Jornalista: Caro transpose, diga-nos, o que pensa desta nova lei que vai a votação no parlamento.
Je: Penso que sim, é uma boa lei. Estou muito grato ao Sr. Ministro se ter lembrado de mim para este posto de tão grande responsabilidade.
Jornalista: Posto? Que posto?
Je: Então, o posto de avaliador mor. Vou fod..., desculpe, escol..., desculpe, avaliar as candidatas à assembleia da republica de modo a que a cota mínima seja cumprida.
Jornalista:Não acha um bocado despropositado que haja uma cota, e ainda por cima, alguem que avalie as candidatas de modo a que essa cota seja cumprida?
Je: Não, amigo. Se todos os politicos, homem ou mulher, fossem avaliados concerteza estariamos melhor. Quanto à avaliação das candidatas alguém o tinha que fazer... Fui eu o escolhido.
Jornalista: Mas porquê o senhor?
Je: É uma questão complexa em que o PM analisou todas as vertentes necessárias para um posto destes e no qual a escolha acabou por recair sobre a minha pessoa.
Jornalista: Pode dizer quais foram essas vertentes?
Je: A primeira de todas era o sexo. Era necessário alguem do sexo masculino.
Jornalista: Mas isso não vai contra as politica de paridade do governo?
Je: Já ouviu alguma mulher a falar de outra quando ela não está presente?
Jornalista: Já.
Je: E...?
Jornalista: Pronto. Até que faz sentido. Mas quais foram as outras vertentes para análise?
Je: Isso tem que perguntar ao PM. Agora uma das perguntas, num dos processos de seleção era “Há quanto tempo não faz amor?”
Jornalista: E o que respondeu.
Je: Escolhi a opção “Menos de um dia”. Parece que quem escolhesse as opções “Mais de uma semana”, “Mas de um mês” e “Mais de um ano”, era logo eliminado. Imagine o que um esfomeado poderia fazer a esta seleção e ao sistema parlamentar português...
Je: Claro que não especificaram o tipo de amor. Se tivessem especificado era mais complicado...
Jornalista: Complicado, então porquê?
Je: Eu tinha feito amor há menos de um dia comigo próprio. Com uma mulher, já levo uns oito anos que estou à seca. Nunca mais hei-de esquecer a Rosa, a minha vizinha cega. Boa miuda.
Jornalista: Sim senhor. Estou a ver que o senhor é um grande ment..., desculpe, politico. E quais vão ser os factores que vai ter mais em conta na suas avalições.
Je: EhEh. Faço o que posso. Quanto aos critérios ainda não estão definidos, mas a seu tempo serão comunicados a todos. Penso que a capacidade oral vai ter um grande peso na escolha. Agora, desculpe mas tenho que me ausentar. Tenho uma reunião com o grupo feminino do bloco.

Guia de viagem

O Bv em São Francisco. Está lá tudo. Os bairros, a arquitectura, os sobes e desce, a ponte, alcatraz. E as fotografias para comprovar. Vejam lá se descobrem o Wally?

João César, subscrevo-te completamente. Tanto que fiz um copy/paste do teu comentário no DN.

O nosso tempo tem um trauma com o rock, que o deixa sempre embaraçado. Mas paradoxalmente somos tão rockeiros como em qualquer época anterior. A intelectualidade não deu por isto e trata o rock como folclórico e decadente, mas, vendo bem, o mundo actual é muito rockeiro. Neil Young podia dizer-nos, como em Keep On Rocking in The Free World: "Don't feel like Satan, but I am to them, So I try to forget it, any way I can. Keep on rockin' in the free world “(Freedom, 1989).

Os jornais não reparam, mas a esmagadora maioria da humanidade afirma pertencer a uma das grandes doutrinas. A influência dos cultos, em particular dos mais globais, rock e hip-hop, é crescente em todo o lado. E a presença do rock ultrapassa em muito a crença explícita. Assiste-se à expansão aberta das devoções descafeinadas, sobretudo nas zonas de decadência cultural, como a Europa: industrial, hard-rock, heavy-metal, punk, importados do Oriente ou da velha New Wave. Como na Madchester de S. Tony Wilson, os ídolos e as bandas são variadas.

A juventude naturalmente não pode existir sem rock. Os que o assumem, vivem equilibrados; os outros são explorados por interesses sedutores. A fé e religião, por exemplo, apresentam-se cada vez mais como avassaladoras galáxias de doutrinas metafísicas, com santuários, paramentos, liturgias e penitências. Os novos profetas organizam-se em comunidades de jovens e a visita semanal à diocese substitui para muitos o concerto rock. O êxtase da liturgia imita os famosos concertos de garagem.

Até o Livro dos Salmos lembra a letra de muitas canções. Nominalmente tratam do prazer, mas só ganham sentido como canções. Frases como "santificado seja o vosso nome" ou "seja feita a vossa vontade" são incompreensíveis se dirigidas a Deus; mas referidas à amada ou ao idolo rock, tornam-se plausíveis e razoáveis. Até o Jonny Rotten pode cantar, quase sem mudar uma vírgula, com as nossas canções, da velhinha Confesso a Deus (250 a.c.) de Arcanjo Gabriel até a Acto de Contrição (31 d.c.) de Jesus (não confundir com a nova banda chamada Jesu).

São os meios antirockais que mostram bem como o rock ultrapassa o campo do rock. O cepticismo rockeiro militante mostrou ser a fé do avesso. O fervor beato do cristianismo, islamismo ou hinduismo, o dogma inabalável do cientifismo panteísta ou a mística apocalíptica dos movimentos ecológicos e naturistas, contêm todos os elementos das bandas rock tradicionais. Os futuros icones duma geração estão hoje não nos comicios esquerdistas mas a dar catequese a miudos e grupos de jovens. Aliás, julgando-se imunes ao rock n’ roll , as derivas espiritualistas de antigos rockeiros repetem ingenuamente os seus traços mais condenáveis, do fanatismo religioso ao anti-rockismo asfixiante.

Como podem cristãos ou judeus ser rockeiros, se não se referem a Jimy Hendrix? A resposta é a mesma de Neil Young. No nosso tempo, os movimentos pentacostais, do sagrado coração de maria ou da opus dei erguem altares ao "deus conhecido", como os verdadeiros rockeiros erguiam ao Jimy Hendrix no século passado.

Para compreender o trauma e o regresso à pedaleira múltipla de Hendrix, é preciso considerar a História recente. Ela começa no choque original da cultura moderna, as guerras entre o Country e o Blues. Nessa época, em que detalhes musicais se tornavam pretextos nos palcos, as pessoas pacíficas não podiam falar de rock, sob pena de serem ostracizadas. Foi um tempo terrível! A razão por que os nossos intelectuais não percebem o rock, e só pensam em fé quando falam dela, vem da miopia imposta por esta obsessão. Este é o trauma.

Perdidas as raízes culturais, apareceram duas soluções. O Europop dos anos 60 e 70 julgou responder com o rock natural, sem icones nem concertos. E acabou na merda, com a cresecente diminuição de telespectadores no Festival da canção. O rock n’roll fez do homem armado com a guitarra o único deus, e Lennon, Jagger, Dylan, os seus profetas. Com o aparecimento da Electrónica, o R&B e o Rap e elevadas quantidades de substâncias psicotrópicas ele revelou-se o pior dos ídolos.

Estas duas soluções, muito sedutoras, omitem a verdade mais evidente. A natureza e o homem não são um Jim Morrison, não se criam a si mesmos nem controlam o mundo à sua volta. Ou alguém faz isso, ou então a vida e a realidade não têm finalidade e sentido. Mas a existência tem um propósito. Ninguém vive sem musica. Esta certeza é o núcleo central do fenómeno rock. E a confusão desse sentido é a guitarra desconhecida de Hendrix.

Foi assim que o cristianismo, sem conseguir fundamento intelectual sólido ou resposta às questões humanas, se revelou uma crença arbitrária. Hoje, após a angústia do Europop, o terror da Electrónica e a perplexidade do Jazz, somos de novo, em tudo, os mais rockeiros dos homens.

Só falta ouvir o que Neil Young tem a dizer.

Link

quinta-feira, março 30, 2006

Escalpelização da posta

“Gostava de arranjar uma música, cantada em francês, que passa no canal Panda. Já tinha bebido umas cervejolas valentes, mas mesmo agora trauteando ao de leve este devaneio pop, a canção é uma moca.”

Olhando com atenção para esta frase nota-se que o autor, gostava de arranjar uma canção que para ele é um mistério. Não sabe o nome da canção. Não sabe o nome da cantante. Apenas sabe que passa num canal de desenhos animados, cujo nome é Panda. Poderia ser Elefante, Girafa, Formiga, mas não, é Panda. Nota-se que não existe dúvida filosófica acerca do nome do canal. Da canção sim. Do nome do canal não. Por outro lado o autor tenta evidenciar uma faceta rebelde ao mencionar, como quem não quer a coisa, mas como efectivamente consumou o acto “Já tinha bebido umas cervejolas valentes”. Pode ter sido verdade, pode não ter sido. Se calhar tinha acabado de comer leitão e beber champanhe. Se calhar até pode ter bebido meia dúzia de copos de coca-cola misturados perigosamente com outra meia dúzia de copos com água, mas não. O autor sabe que ao fazer esta menção honrosa à quantidade de alcool bebido, ou no caso de terem sido drogas, mata vários coelhos com uma só cajadada. Começa por se desculpar perante os seus vários milhões de leitores. Caso alguns conheçam a cançioneta e não gostem, dão o devido desconto ao autor com base no seu estado alcoolico. Além disso tenta apelar às leitoras femininas maiores de 18 anos com uma preferência por rebeldes, amorosos, que gostam de música francesa, sem vergonha de o dizer e com capacidade estomacal para aguentar umas loiras.
Como se não bastasse isso, este fuinha tenta uma junção à “grande maralha alternativa com um ou outro devaneio pop mensal”, que é uma sociedade ultra-secreta que está para a música como a opus dei está para a igreja. É a derradeira tentativa de credibilização da posta, porque após a última “,” vem a tentativa de influência mesquinha ao utilizar a palavra muito em voga desde os fins do século XX, inicios do XXI, entre a comunidade jovem, que é “moca”.
Mas tirando estas cenas todas, a música é mesmo altamente

Ps: Claro que não foi mencionado a gritante dificuldade do autor em encadear frases que fluam com facilidade, como se pode notar: "trauteando ao de leve este devaneio pop, a canção é uma moca", mas apenas porque não se queria mencionar aspectos obvios, com medo de ferir a susceptibilidade e inteligência do leitor.

quarta-feira, março 29, 2006

Damian "Jr. Gong" Marley






















Ontem retomei a minha vida social em Portugal no que a concertos diz respeito. O último tinha sido Nine Inch Nails em San Diego. Ontem voltei ao local de crimes anteriores, um local que faz parte do meu crescimento musical e pessoal, onde já vi tantos concertos marcantes, e outros bem menos que isso. Ao princípio da noite rumei ao Coliseu, a velhinha sala de espectáculos portuenses, que fica a dever um pouco à modernidade dos equipamentos e do design, mas que ganha a muitas salas e pavilhões pseudo sala de concertos no que à acústica diz respeito. O motivo: o concerto de Damian "Jr. Gong" Marley, o filho mais novo do Bob Marley. O que se pode dizer do rapaz? Bem… pode-se dizer que o Bob demorou mas acertou quando fecundou pela última vez. Este rapaz tem atitude e criatividade. Sempre com a chama tradicional do reggae por trás, não renegando as origens, mas reinventando as fórmulas, fundindo os vários estilos reggae, como o ragga, o rocksteady ou o dancehall, com estilos mais contemporâneos como o hip hop, e não se coibindo de utilizar samples. Tem músicas muito boas, utilizando legados do pai em duas ou três músicas, mas reinventando-as completamente à luz da sua filosofia. No concerto as músicas são tocadas bastante na linha do disco, mas com liberdade para acalmar ou acelerar a música conforme se pretende incendiar ou acalmar o público. O concerto começou só com os músicos em palco a tocarem um pequeno medley instrumental de músicas de Bob Marley, das quais se destacam o Jammin’ que serviu para aquecer o público, e no fim deste um mestre de cerimónias todo ele rastafari jamaicano na casa dos 50 bem vividos veio apresentar Damian "Jr. Gong" Marley com retórica tão típica da cultura rasta. E a partir daí foi uma viagem bem agradável pelo 3º álbum de Damian Marley. Muita energia, muito salto, frases políticas e discurso rebelde. Mas também houve espaço para os isqueiros, que foram pedidos por Damian por duas vezes, para acompanhar músicas mais tranquilas como por exemplo a excelente “There For You”. O encore foi muito enérgico e substancial, não se limitando a uma musiquinha. Deixou-nos aliás com 3 ou 4 músicas, entre as quais duas das melhores músicas do álbum, o hit “Welcome to Jamrock” e a excelente “Road to Zion”. Pelo meio posso assinalar também a “In 2 Deep” onde Damian levou mais longe a mensagem e onde a participação do público foi esmagadora, a “Move” com a reminiscência do pai presente por intermédio de “Exodus” com muito calor e energia, a animada “We’re Gonna Make It”, ou o meddley homenagem ao pai Bob onde cantou “Could You Be Loved”, “War” e “No More Trouble”, onde o público não parou de cantar e dançar. Globalmente foi um concerto muito bom, onde se pode recordar e homenagear Bob Marley, mas onde a estrela foi o seu filho Damian, não se deixando este enredar pela facilidade do tributo ao pai e acreditando na sua música. Aconselho vivamente o álbum de Damian Marley, principalmente para quem gosta das sonoridades mais reggae, mas desenganem-se pois “Welcome to Jamrock” é bem mais que um algum reggae. Como curiosidade posso dizer-vos que um rastafari com cerca de 2 metros bem fumados esteve em palco o concerto todo a abanar uma bandeira da Jamaica, compenetrado e determinado na sua missão. Um espectáculo dentro do próprio espectáculo. No fim a pergunta surgia natural: porquê? O raio do homem não fez mais nada! Só agitava a bandeira e parava nos silêncios musicais, num ritmo desencontrado e numa atitude determinada e misteriosa. No meio da nuvem aromática que se apoderou do Coliseu surgiu-me um significado pertinente por trás da performance da bandeira, uma simples mensagem de validade duvidosa e de moralidade questionável: jovem, diz não à droga. Posso dizer-vos pela observação local que os jovens se marimbaram para a suposta mensagem subliminar.

Link

terça-feira, março 28, 2006

PUB

Olhando para a blogoesfera tenho de reconhecer, pondo de lado toda a modéstia e humildade, que se eu e o BV não escrevessemos umas bujardas de vez em quando isto não andaria nas bocas do mundo. Mas pronto, também tenho de reconhecer, com toda a humildade e modéstia, que existem por aí umas quantas Che Guevaras que vale a pena ler diariamente, e que fazem umas coisas giras. Autênticas revoluções mentais da escrita, plenas de desejo, erotismo e cinéfilia. O que proponho é faças parte dessas revoluções e ponhas essa mente a trabalhar. Por um dia põe de lado o erotismo formatado e industrialmente feito pela Playboy TV e conta o que farias se fosses o realizador, ou Main Star. Já agora, achas que para um determinado filme ser perfeito falta ali uma pequena cena? Não a queres escrever e mostrar que o realizador não percebia nada do assunto? Pois bem, a Maria Árvore e a Maria do Rosário Fardilha(no âmbito do seu Escritor Famoso), lançam-te esse desafio. É participar que vale a pena.

quarta-feira, março 22, 2006

Nos Camarões somos GRANDES



Foto tirada daqui. Ideia tirada daqui. Os plagiadores são lixados.

Isto das frases filosóficas/enigmáticas é giro

Ele, piróranamo por paixão. Ela, bombeira por vocação. Nunca um fogo foi apagado com tanto prazer.

Carlos e Bruna

Carlos Nunes, era conhecido na terra pela sua simpatia. Pessoa bastante amistosa seguia à letra a palavra do senhor. Se lhe batassem na façe esquerda, ele dava a direita. E sempre com um sorriso nos lábios. Para acentuar esta sua caracteristica, sempre que podia acrescentava um diminutivo na frase. Tornava-a mais ternurenta. “All we need is ternura”, diziam os beatles e cumpria o Carlos Nunes.
Bruna Cardoso Santos, desculpem, Bruna Santos Cardoso era uma contestatária. Bloquista convicta, era uma revoltada da sociedade. Incomodava-a profundamente o politicamente incorrecto, desde que um dia à entrada para o Papa Açorda, o seu namorado, entrou primeiro do que ela e não segurou a porta à sua passagem. O seu nariz nunca mais foi o mesmo, assim como as suas convicções. Até o seu nome tinha sido alterado para ser politicamente correcto. Santos pela parte do pai, Cardoso pelo lado da mãe.
Um dia, por carga uma das coincidências do destino esta dupla está sentada à mesma mesa, onde um grupo de amigos comuns está em pleno debate filosófico.
- O meu velho, anda-me a chagar a cabeça. Quer que começa a trabalhar lá na empresa, já viram? Tenho 26 anos. Ainda sou um teenager. Disse que se não começasse já, não me patrocinava a minha ansiada ida à Bolivia para fazer cabanas para os indios. (Amigo 1)
- O teu velho? Isso é expressão. Velho, Cota. O teu pai. E mesmo que não fosse pai, velho é palavra depreciativa. Idoso é o que se deve usar. (Bruna)
- Idoso? Que palavra sem alma. Velhinho é que é. Penso que demonstra muito mais respeito e carinho pelas pessoas mais velhas.(Carlos)
- Velhinho. Demonstra pena... Isso sim. Idoso é a palavra certa e não se fala mais nisso. (Bruna)
(...)
Quando iam a sair, Carlos, como era seu hábito abre a porta e faz questão que as senhoras presentes saiam primeiro. Bruna ainda não refeita do trauma que a atormenta à 10 anos passa, mas sempre com as mãos à frente do peito. Não vá o diabo tece-las. A porta não bate. Estava ali um cavalheiro.
(...)
Com o passar do tempo Bruna e Carlos começaram a se encontrar e a ir tomar um cafézinho juntos. Outra vezes iam a um cinemazinho perto da casa dos dois. Uma tensão sexual estava a crescer. Até que depois de uma noite muito alegre, Bruna convida o Carlinhos para ir a sua casa. Beijam-se mal entram em casa. Começam-se a despir, e Bruna dando um passo atrás com o seu politicamente correcto, exclama:
- Carlos, que pilinha tão bonita!!!
O que aconteceu, não estava nos planos. Carlos sem pensar, puxou a culatra atrás e deu uma estaladela na sua bloquista preferida. Pegou na roupa, vestiu-se e foi-se embora. A face esquerda da Bruna nunca mais foi a mesma.

terça-feira, março 21, 2006

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

-"Oh faz favor. Podia-me trazer um scotch."
-"Novo ou velho?"
-"Novo."
-"Tem preferência de marca?"
-"Não. De preço. Que se beba bem e não pareça aguardente."
-"Aqui está."
-"Obrigado... Olhe, desculpe. Já agora, não tem por ai betadin e umas ligaduras na mala dos primeiros socorros?"
-"Oh chefe, isto aqui é um café não é o serviço de urgências do Santo António."
-"Ah... Obrigado na mesma. E desculpe o incómodo."

Ps: Atenção. As regras são para ser alteradas. Hoje o blogue dedicou-se às rapidinhas. As posições foram todas percorridas, criando-se uma ópera rock. Nenhum animal foi ferido. Aconselha-se começar a leitura pelo fim, caso contrário pode-se perder qualquer coisa. Se mesmo assim, perder qualquer coisa, desculpe qualquer coisinha. A intenção era boa.

Bem ou mal já se falou de Sexo e Rock' N' Roll.E as drogas?

Ficam para mais tarde. Depois do desporto e da reunião onde vão estar pelo menos cinco meninas que vão à igreja todas as semanas. Drogas? Isto é um blogue anti-drogas. Jovem sê saudável. Practica desporto e diz não às drogas.

Posta à Pedro Mexia (com menos nível, claro) (3)

I want to fuck you like an animal
I want to feel you from the inside
I want to fuck you like an animal
My whole existence is flawed
You get me closer to god

Trent Reznor, atrofiado dos cornos americano

Link

Posta à Pedro Mexia (com menos nível, claro) (2)



Ainda por cima, tinha umas mamas do mesmo nível...

Link

Posta à Pedro Mexia (com menos nível, claro) (1)

Há uns anos, pelo meu aniversário, S. mandou postal musicado com bebé agarrado a peluche. Legenda: "Só estou agarrada ao urso porque não me deixas agarrar-te a ti". Eu? Não deixo? Foda-se. As ideias de um gajo tímido são sempre muito mal interpretadas.

Link

Conselho de amigo

Quem precisa de arranjar moça para namorar que começe a ir à missa. Da ultima vez que lá passei à porta, vi uma concentração assustadora com elevado ratio de qualidade. Sempre acompanhadas pela respectiva familia, claro. Espero que o meu avô me desculpe a heresia.

Poema Vanguardista que não rima mas batia certo

Com este tempo merdoso
Sem paciencia para nada
Estava-se bem em casa
A dormir uma soneca

Leituras blitzianas

Segundo o Blitz, o CC Estúdio 2 da Sic Radical é o verdadeiro serviço público, agora alargado a bandas internacionais. A convidada é a Skin. Há serviços públicos que dispenso com o maior dos prazeres.

São engraçadas e tal mas o que eu queria ser mesmo era o lobo mau



Roubada sem vergonha nenhuma do excelente E Deus Criou a Mulher

Link

Estudos

Segundo uma consultora qualquer, o habitual leitor de blogues tem mais de trinta anos e ganha mais de 75 mil euros ano. Não me enquadro no estudo. Gostava de saber quanto ganha o habitual leitor, pseudo-escritor com menos de 30.
Ps: Que não tem que comprar Viagra.

Para (A)variar

Hoje o romantismo fica à porta. É só rapidinhas.

sexta-feira, março 17, 2006

Se me estas a ouvir. Se me estas ouvir.

Olá povo distante... Se conseguires captar estas ondas hertezianas no espaço sideral e as conseguires traduzir podes saber que somos um povo que só quer a paz. Podes-nos visitar à vontade, que serás bem recebido. Se tiveres intenções de fazer uma visita personalizada, a cada habitante deste planeta, convém passar lá por casa hoje, que o jantar é leitão da bairrada, mas atenção, às 21h tenho reunião por isso apartir dessa hora não estou em casa. Se não me quiseres visitar agradecia que me respondesses a uma pergunta. O teu blogue, hoje, está funcionar correctamente ou está meio para o alucinado? Podes deixar resposta na caixa de comentários ou enviar sms. Obrigado. Citando Lauro Dérmio: "Over e sai".

Branco/Preto

Já li por esta blogoesfera fora, muitas definições para a divisão dos seus escrivas. Nunca vi uma básica, e que salta imediatamente à vista de todos, na qual os bloggers podem se dividir em monóicos ou dióicos. Mas pronto, se calhar o pessoal que se ocupa destas coisas pensava que um seu parceiro já a tinha escrito algures. Penso, no entanto, que a divisão mais importante entre os bloggers são os que escrevem pouco e fodem muito e os que escrevem muito e fodem muito. Quanto aos outros, não são bloggers, são almas penadas que estão à espera que o profeta os leve.

PS: Eu sou um caso especial. Não sou blogger. Sou aspirante a palhaço.

Star Trek - The New Generation



Os elementos deste blogue tentam desenvolver neste espaço um trabalho digno e sério onde o principal objectivo é animar a malta. Como a capacidade não é muita nunca nos importamos de fazer tudo isto em prol da comunidade, totalmente de borla, em prejuizo do nosso bolso e da nossa capacidade para amar.
Para nossa felicidade, uma nova geração de animadores está aparecer. O nosso problema é que, como se pode ver pelo exemplo acima, a bitola é bastante elevada. A última coisa que queriamos era arrastarmo-nos pelo mundo humorístico como o
Paul Gascoigne se arrasta pelos campos. Vamos fazer um esforço, mas com colegas assim se calhar é mudarmos de profissão e se calhar enveredarmos pelo ensino. Se calhar tentar ser presidente de um conselho executivo de alguma escola.

quinta-feira, março 16, 2006

Pornographers do it better



Na minha modesta opinião foi dos melhores albuns do ano que findou. Estes pornografos são um grupo de Vancouver que integra elementos conhecidos como A.C. Newman, Neko Case, John Newman e muitos outros de diferentes àreas. É daqueles albuns que quanto mais ouço mais viciado fico. Tocam um rock – pop alegre, ideal agora para a Primavera e Verão, sendo quase impossível não ficar com um sorriso nos lábios ao ouvi-los. Além disso, só o facto de várias pessoas cantarem no album faz com que seja dificil, depois do periodo de uso abusivo, enjoar de uma preciosidade destas, já que parece que existem dois ou três albuns dentro deste. Um mais virado para o glam, outro para o power – pop. Ouçam canções como “Twin Cinema”, “Jackie, Dressed in Cobras”, “These Are the Fables” ou “Sing Me Spanish Techno” e depois digam-me se estamos ou não na presença de uma agradável surpresa?
Antes deste, os fodilhões de Vancouver já editaram outros dois. “Mass Romantic” editado no ano dois mil e o “Electric Version” em 2003. Descubram-nos.

Fia-te na virgem e não corras



Existe uma citação com mais de dois mil anos, na qual Gaius Julius Caesar disse: "Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar..."
Penso que está análise está muito mal feita. Comprovasse que fomos, somos e seremos uns incompreendidos. O nosso problema é que somos um povo terrivelmente exigente com os outros, especialmente com que nos governa. Ao longo de toda a nossa existência ainda não reconhecemos em ninguém capacidade para nos governar. É complicado deixar-mos que alguém nos governe. No fundo continuamos a ser uma bela adormecida à espera do principe encantado. Não nos podemos esqueçer é que ele pode surgir a qualquer momento, sem avisar. Por isso convem estar minimamente arranjada, caso contrário, ele troca-nos por outra. Não nos podemos esquecer daquela nossa paixão assolapada que ao ver-nos com os dentes podres, unhas dos pés afiadas, pentelheira exageradamente farta e sem um batonzito a compor o bouquet, nos trocou pelas africanas. Corno.

quarta-feira, março 15, 2006

Piada com barbas


Para quê tanta violência, se com uma bandeira nacional o assunto fica resolvido?

O Escaped One

Num país onde a matemática não é o forte, torna-se complicado para muito boa gente entreter-se a fazer o Sodoku ou outro jogo onde se impõe a lógica. Por isso, o que faz para surprir esta carência? Analisasse poesia e poetas.
- A minha análise ao poema não é a mais correcta ?
- Desculpe, o amigo é que se está a esqueçer dos pormenores históricos posteriores ao lançamento. E as hemorroidas que pertubaram o autor durante a escrita, não são importantes?
Muito vezes um “escuro como a noite” pode ser mesmo o autor a querer dizer que a côr tinha tonalidade escura, e não uma forma de parecer misterioso, ou criticar quem está no poder. Algumas vezes, devido a erros de imprensa, um determinado poema ganha uma interpretação que não era a pretendida pelo autor. Olhando para o exemplo abaixo:

I am the escaped one,
After I was born
They locked me up inside me
But I left.
My soul seeks me,
Through hills and valley,
I hope my soul
Never finds me.

Fernando Pessoa

Este exemplo mostra muito bem a importância de dois aspectos na edição de um livro:a gráfica onde o livro vai ser impresso, e os revisores(???) que fazem a revisão final. Em conversa, ontem com um seu familiar afastado, ele disse-me que o seu tio tinha originalmente escrito “special one” em vez de “escaped one”. Quem lê fica com pena do homem. Olha o coitado a fugir dele próprio. Já sabia que cada um tem a alma que merece, não imaginava é que o Pessoa tinha uma alma assim tão cabra ao ponto de o perseguir por montes e vales. Não podia fazer quixa na polícia? Mas lá está, como o poema está escrito, ele passa por maricas, por até da própria alma fugir, quando o que queria dizer não era isso. O seu objectivo era apenas dizer que na poesia da época não via ninguém comparável a ele, não fosse apenas pela qualidade dos seus poemas mas também por ter uma alma que o persegue para todo o lado, tipo pastor alemão que compreende três linguas. E assim o erro perdurou, dando-me, até ontem quando soube da verdade, uma visão de um Pessoa frágil, com medo de tudo e de todos. O que era errado. O Campos parece que na realidade era um verdadeiro Cabra-macho. A obra não foi toda re-impressa apenas porque o editor o conveceu pagando-lhe uns carapaus com arroz de feijão e um tinto da casa no tasco da Mariquinhas. O Pessoa era um Special One bacano, não se estava para chatear com auto-promoções. Se falhou esta, não falharia a do próximo livro.

sexta-feira, março 10, 2006

Toca a honky tonky se for necessário



Radio's on, feeling all right
Cruising the strip on a Saturday night.
I smile and I wave and I hide all my pain
but the sign on my bumper gives me away:

Honk if you're lonely tonight
If you need a friend to get through the night
A toot on your horn, a flash of your brights
Honk if you're lonely tonight.

I know honky-tonk where we can go.
A booth in the back with the lights way down low.
The jukebox is playing a sad melody
for heart-broken lovers like you and me.

We'll laugh and we'll flirt and we'll dance every dance
and before the night's over we'll take a chance.
The morning will find us with a smile on our face
and we'll be together in a lover's embrace.

(chorus)

I know it seems sad to be so damn blue
but there's always the chance that you'll meet someone new.
I know that somewhere waiting for me
is a sad lonely lover with a bumper that reads:

(chorus)

A discussão está aberta

Isto de pertencer à elite da blogosfera tem muito que se lhe diga. Há gajos que são tão bons, tão bons que até recebem convites para escrever umas breves linhas em blogues alheios. Quem os convida sabe que o seu pasquim passará a ser olhado por outros olhos e quiçã com alguma sorte e engenho, passarão a figurar no top 100 português. Não tenho nada contra. Acho bonito até, desde que não se gaste dinheiro dos contribuintes para esta promoção.
Num desses convites que lhe são distribuidos, o
Freddy levantou uma questão bombástica e pertinente:

- Porque é que não nos importamos, e por vezes até gostamos bastante, de cheirar os nossos peidos? Será a mesma lógica de termos de gostar dos nossos filhos mesmo quando são os maiores rottweillers à face da Terra?

Penso que a primeira questão é de grande importância e apraz-me dar os parabens ao autor por ter tido a coragem de falar de assunto tão melindroso. Já a segunda pergunta parece-me totalmente desfasada do que o autor pretendia. Sem se aperceber, comete o erro de tentar correlacionar prazeres com obrigações. Não entra aqui em equação se estamos a comparar um prazer inócuo, ou então, um prazer de merda com uma obrigação de alta responsabilidade. Claro que ambos vieram do fundo das nossas entranhas e fazem parte de nós. Mas existem grandes diferenças. Enquanto um tem uma mortalidade de vida de um, dois minutos, o outro, sendo rottweiller ou caniche, tem uma mortalidade muito maior, infelimente num caso, felizmente no outro. Claro está que estou à partida a eliminar aquele peido que embora morra, perdura para sempre na nossa memória, porque teve uma duração fora dos canones normais, um som invulgar ou lembra uma situação mais embaracosa. Também existe diferença devido à maneira como são fecundados. Os filhos precisam sempre de espermatozoides e ovulos, são sempre um trabalho a dois, enquanto o peido não precisa de mais ninguém excepto nós mesmos. Claro que uma boa feijoada ajuda, mas não é essencial. Existe por aí muito boa mulher e muito bom homem sempre prontos para deixar a sua bomba com cheirinho. Para alguns até serve como marca registada. Há a ter em conta, como lhe gosto de chamar, o resultado da especulação bolsista associado. Antes do mais devo dizer que estamos na presença de dois tipos de investimentos. O primeiro é um investimento a curto prazo enquanto o segundo tanto pode ser investimento a longo prazo ou a fundo perdido. O peido quase não dá tempo para especulação, dando logo os resultados nominais em bolsa, que se traduzem quase sempre num melhor bem estar após soltar o dito. O filho tem um valor especulativo bastante elevado, à volta dos nove meses. Por sua vez os resultados na bolsa só vão para o positivo passados 30 anos e isto depende dos critérios idealizados de investidor para investidor. No meu caso considerava o resultado positivo se o modo como foi lançado o investimento gerar boas memórias, antes do trinta o rebento estivesse a morar fora de casa dos pais, já tivesse apresentado umas amigas novas ao pai e não for todos os fins de semana a casa encher o saco e lavar a roupa. Caso contrário foi investimento a fundo perdido.
Depois de exposto o meu ponto de vista, penso que a pergunta certa deveria ser :

- Porque é que não nos importamos, e por vezes até gostamos bastante, de cheirar os nossos peidos? E quando os peidos são dados pelos outros? Filho adoptivo ou filho do vizinho que acabou de nos partir o vidro?

Gostaria que tal questão não morresse por aqui e se tornasse uma discussão de toda a sociedade civil e não apenas dos chamados, intelectuais do peidinho. Estará o peido a ser maltratado pela nossa sociedade? Não existirá a chamada peidofobia? Se o meu peido é meu amigo porque é que o peido do meu melhor amigo, não será peido amigo também? Não discutam e depois queixem-se quando os animais deixarem de ser nossos amigos...

terça-feira, março 07, 2006

Choque na Finlândia

Durante uma amena cavaqueira com os jornalistas, e na presença do ministro finlandês da tecnologia, o nosso primeiro ministro congratulou-se pela visita a este país irmão. A Finlândia é um dos dois países escolhidos pelo governo português para o estudo do choque tecnológico a implementar no país. O outro é a Guatemala. No entanto, este não reunia as condições ideais para a visita. Embora possuia no seu relevo montanhas com mais de 1000 metros de altitude, as temperaturas encontram-se nesta época do ano a mais de 30ºC. No entanto, José Socrates e a sua crew pensam daqui a 5 meses visitar este avançado país ao nível da tecnologia, quando for possivel encontrar temperaturas mais amenas. A roçar os -10ºC.
Para esta viagem, sabendo que por volta das quatro da tarde os finlandeses fecham a loja, o Eng. José Socrates e o seu compagnon de route Ma-Ma-Ma-Mariano Ga-Ga-Gago levaram os seus instrumentos de ski para practicarem um dos seus desportos preferidos, durante os tempos mortos da visita oficial.
Para Sócrates era uma excelente oportunidade para mostrar aos seus companheiros de governo que as grandes quedas só o fazem ter mais vontade de as superar, e não baixar os braços. Uma analogia? Um mind-game? Os ministros entenderam a mensagem e levantaram-se a bater palmas quando o Eng. José Socrates calçou os patins. Eram 16h43m, numa pista de ski perto de Estocolmo. A alguns a percepção de momento tão transcendente, deixou-os embargados pela emoção. A memoria de todos ainda era assombrada pela figura do nosso P.M de canadianas, tão frágil e indefeso. Passado um mês de as ter deixado, arriscar-se a usá-las novamente, era de estadista.
Os objectivos do P.M já eram outros relativamente às férias de Natal. Se aí o objectivo era apenas se manter de pé, desta vez já pretendia andar 100 metros. De pé, porque de rastos já tinha conseguido anteriormente. Com o objectivo de o ajudar Ma-Ma-Ma-Mariano também calçou os ski’s dele. Antes de começarem o exercicio a tragicomédia aconteceu. Socrates com vontade de experimentar o seu novo telélé, flashou as vistas a Ma-Ma-Ma-Mariano que, perdendo por momentos o norte, chocou abruptamente com o seu patrão, que caiu inanimado. Felizmente tudo não passou de um susto, já que Socrates não sofreu qualquer dano, apenas caiu e adormeceu. Tinha-se levantado às quatro da manhã para estar na Finlândia às sete. Já não se levantava tão cedo desde que se foi inscrever no PSD quando era jovem. No entanto, e apesar de o Ministro não ter cumprido os objectivos a se propôs (deixando-os para a visita à Guatemala), teve uma grande ideia durante os breves momentos em que adormeceu. Criar uma empresa de telecomunicações e telemóveis, com 100% de capitais portugueses. A Fokia.

Uma Questão de Coerência

Ontem, na revista de economia do Público, a Dia D, vinha um artigo sobre a Meca Cola, a Cola que não é Coca nem americana, mas antes de um espertalhão e oportuníssimo árabe, que algum tempo depois do 11 de Setembro e de a contestação aos EUA no médio oriente subir a níveis históricos, resolveu lançar esta Cola islâmica.

Já nem falo do absurdo que é, formalmente, rejeitarem o símbolo do capitalismo americano que é a Cola, mas correrem a produzir uma idêntica, e note-se que mesmo a apresentação gráfica é muito semelhante à Coca-Cola. No fundo mostram que apreciam alguns dos conceitos culturais ocidentais, mas o ressentimento e a auto penitência deve impedi-los de beber um trago de Coca-Cola sem se engasgarem com as borbulhinhas do refrigerante. Ou não! Não aparecesse o sucedâneo sagrado e não faltariam provavelmente muçulmanos a bebê-la. Isto faz-me lembrar os vegetarianos, que assumem uma posição válida e com que até simpatizo, mas que depois aparecem com produtos como a salsicha vegetariana, o chouriço vegetariano, ou a francesinha vegetariana. Quando se toma uma posição, assume-se de peito aberto. Agora andar a comer cachorros e francesinhas vegetarianas é expor-se ao ridículo. Em mais uma analogia, lembra-me os tóxico-dependentes que deixam a heroína para se enterrarem na metadona, com as devidas e merecidas diferenças.

Mas agora, o que me saltou à vista, em mais uma incoerência em que correm o risco de cair os que tomam posições extremas, é o uso para fins comerciais da palavra Meca, a terra sagrada dos muçulmanos. Confesso ignorância quanto ao conteúdo do Corão, mas não será esse uso uma blasfémia equiparável ao uso da figuração do profeta Maomé em cartoons satíricos? Parece-me lógico que o seja. Pelo menos, se eu fosse muçulmano devoto ficaria irritado, como ficaria com os cartoons, e como fiquei como português por a PT ter usado o hino nacional num spot publicitário. Mas ok. Eles são muçulmanos que se entendam.

De qualquer forma, segundo o artigo, as perdas da Coca-Cola para este concorrente são residuais. As vendas desta Cola têm picos que reflectem a situação política regional e mundial. No auge da crise dos cartoons as vendas da Meca Cola aumentaram para o triplo, voltando depois a diminuir. Parece que afinal esse sucedâneo funciona mais como um saco de boxe em tempos de conflituosidade. Em vez de atirar uma pedra bebe uma Meca Cola, poderia ser o slogan da bebida. Ou então, quem nunca bebeu que atire a primeira pedra.

segunda-feira, março 06, 2006

Qual é a certa?

Devido ao meu Word se recusar a me corrigir os erros, por vezes faço umas malabarices. Quando tenho dúvidas acerca de uma palavra, escrevo-a no google e vejo qual a maneira correcta de a apresentar. Com bibe ou sem bibe? Saia até ao joelho ou mini saia? O google responde sempre. Até que hoje surgiu-me a dúvida: Momêntaneo ou Momentâneo? A eleição foi renhida, ganhando a primeira, apenas com mais dez votos. E eu a pensar que estes casos eram sempre resolvidos por unanimidade.

E agora um assunto totalmente inesperado.

Hoje não sei sobre o que hei-de escrever. Talvez sobre como usar o hífen sempre que existir, à maneira de ligação, a preposição de nas formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei-de. É uma hipótese. A única coisa que sei, é do que não vou escrever. Os Óscares. Não teria muito para dizer, a não ser que fiquei muito sensibilizado por o “Crash” ter sido escolhido como melhor filme. Já agora, enquanto tenho tempo de antena, gostaria de agradecer a todos os votantes por finalmente terem conseguido entrar em sintonia com a minha pessoa. Não que os outros filmes fossem maus, mas por este ter sido o único que vi dos que estavam em eleição para melhor filme. E meus amigos, este hiato já demorava à pelo menos C-I-N-C-O anos. C-I-N-C-O. Estava a tornar-se extremamente aborrecido, sempre que chegava a hora do Óscar, alguém querer saber a minha opinião sobre o movie vencedor, eu ter que dizer: “Oh pá, por acaso, ainda não vi. Mas deve valer a pena. Afinal, se ganhou o Óscar...”. Tinha sempre o cuidado de na frase acrescentar o “por acaso”, que demonstrava um pequeno lapso momêntaneo. Felizmente neste espaço de tempo, nunca a mesma pessoa repetiu a pergunta, caso contrário, estava em apuros. Tinha que arranjar outra frase mais airosa além que me arriscava a perder toda a credibilidade cinematográfica, coisa nos tempos que correm, imprescindivel. Um homem sem um mangalho de 20 cm e sem credibilidade cinematográfica não é Homem. Tirando em sonhos nunca o tive com 20 cm... imaginem se me faltava a credibilidade cinematográfica... Obrigado então pela atenção. Eu para o ano, uma semana antes da entrega, aviso os que vi.
Só mais uma achega. Nos tempos da primária, estudavam comigo, dois primos. O Óscar e o Helder. O primeiro era o speedado, enquanto que o segundo era, também speedado, mas não tanto. Faziam uma dupla dinámica. Um a jogar a extremo esquerdo e outro a extremo direito. Eu falo nisto, para propôr a mudança de nome ao Óscar. Por uns aninhos podia-se chamar Helder. O nome também é bonito, a velocidade quase a mesma, assim como o tamanho. Era uma boa troca. Quantos já ganharam Óscares? Paletes. E Helderes? Dava ao prémio uma exclusividade que este já não possui. Era uma medida que o pessoal com credibilidade cinematográfica apreciava.

sábado, março 04, 2006

Tobias, Chamemos-lhe Assim...

Hoje morreu o meu canário. Raio de altura para o estúpido do animal morrer! Semeou o pânico na minha rua. A minha mãe selou a marquise em quarentena, e neste momento a minhas calças de ganga preferidas estão em suspenso, literalmente, á espera de decisão superior do conselho veterinário cá de casa.

O bicho não tinha nome, coitado. Para falar a verdade eu já nem me lembrava que tinha um canário em casa. O Tobias, chamemos-lhe assim, era amarelo, fazendo jus à selecção que lhe deve o nome. Se me tinha lembrado disto, ter-lhe-ia posto com certeza o nome Celeste, contrapondo a sua natureza canarinha com a grande raça argentina, a minha selecção de eleição. Lembro-me, seria hipócrita se dissesse “com saudade”, mas lembro-me, de o ouvir cantar em prósperos dias de Primavera, a celebrar a luz do sol e a dádiva da alpista que nunca faltou no seu pequeno contentor. Era dele o lugar de destaque, quando na minha marquise convivia a nata intelectual do mundo pássaro, com os periquitos, os bicos de lacre e uma arrogante caturra a comporem o ramalhete. Mas Tobias, chamemos-lhe assim, reluzia altivo do alto da sua gaiola, o galho mais alto da marquise. Nas noites frias de Inverno era recolhido para aquele hiato arquitectónico entre a cozinha e a sala, há quem lhe chame copa, não fosse o frio ser prejudicial para as suas cordas vocais ou vir-se a dar o caso de o bicho desenvolver qualquer tipo de reumatismo. Para além disso, a gaiola era tapada com um pequeno cobertor. Os outros ficavam na marquise, mas sempre de bico erguido, não se deixando acometer pela inveja dos privilégios alheios.

Hoje vivem-se tempos difíceis para os pássaros. A minha mãe sempre tentou evitar que Tobias, chamemos-lhe assim, ouvisse as notícias alarmistas dos noticiários sobre a gripe das aves. Eu sempre discordei, e duvido mesmo que Tobias, chamemos-lhe assim, estivesse ciente da sua condição de ave. Tentei explicar à minha mãe que ave é um conceito humano, desenvolvido pelos mestres da taxionomia e classificados segundo uma lógica evolucionista que agora não interessa nada aprofundar. Mas a minha mãe sempre resguardou o bicho do terror porque passam os seus semelhantes por esse mundo fora. Irónico, que os seus parentes que tiveram a pretensa sorte de nascer e crescer em liberdade, longe das finas tiras de arame das gaiolas, livres para escolherem por onde voar, estejam agora em posição desvantajosa face a esse vírus egoísta que devasta essa fina classe que é a das aves. Mas hoje Tobias, chamemos-lhe assim, morreu. Ele era velho. Poderia ser do coração. Ataque fulminante. AVC. Mas nesta era da globalização vírica, outra hipótese salta à vista: gripe das aves. Pois sele-se a marquise a bem da saúde pública. Tobias, chamemos-lhe assim, escolheu mal a altura para morrer. E entretanto é sexta-feira à noite e as minhas calças de ganga preferidas jazem no estendal da marquise, confiscadas em nome de um bem maior, inertes e sem a graça que só umas pernas lhes podem dar.

sexta-feira, março 03, 2006

Brainstorming

Código de Sexta - Feira

Main()

R1=Al_Dente
{
While (Tempo < 18h30)
Trabalhar();
Goto R1;
While (Estado=Sóbrio)
Cerveja();
If (Estado==AindaFrio && Tempo==20h00)
Jantar(Vinho OR Sangria);
If (Estado==Aborrecido && Tempo==21h00)
Goto Pista de Gelo;
While (!Pisado)
Continuar a Cair no Chão();
Goto R1;
While (Sentir o Pisado()==TRUE)
Cerveja();
If (Alc/Sangue> 1.5 && Capacidade Condução==FALSE)
Goto MaKumba;

Acorrentado

A Maria Árvore do Chez Maria, resolveu-me acorrentar. É muito boa pessoa, mas penso que foi mal aconselhada. O Sr. Doutor aconselhou aquela querida a acorrentar-me com as minhas manias, quando me devia acorrentar era com a Isabel Figueira, que se bem me lembro já tem alguma experiência em matéria de acorrentamentos. Mas, como tenho bom feitio, vou compartilhar as cinco primeiras manias que me saltam, assim de repetente, à cabeça.

As regras do jogo:

Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que o diferenciem do comum dos mortais. E, além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.

1 – Sempre que cômo gomas, tiro uma de cada sabor, deixando sempre os sabores de laranja e limão para o fim.

2 – Como a responsável do meu acorrentamento, durmo sempre com os estores da varanda abertos. Porque gosto de acordar com o sol, mas também para à noite, caso queira fumar um cigarro, não andar sempre a subi-los e desce-los. Não fumo dentro de casa.

3 – Durante a semana tiro folga de correspondência. As cartas amontoam-se sobre a mesa durante toda a semana, só sendo abertas ao fim de semana, a menos que o envelope tenha letra feminina. Já me atrasei a pagar uma ou outra conta devido a esta mania.

4 – Quando fumo um cigarro para me fazer rir, o “Todos os nomes” do Saramago é usado como tábua para fazer a sopa. Nunca uma capa foi tão fustigada como esta. É só queimaduras. Já usei o “O processo” do Kafka mas o sabor não é o mesmo.

5 – Chegando a casa do lufa-lufa diário, e caso já não saia, ponho o pijama ou fato de treino no aquecedor a óleo de modo a vesti-lo quente. Gosto de andar chez moi confortável. Roupa larga e velha de preferência.

Como pelos meus passeios bloguiticos já vi muito maniento a confessar-se, vou plagiar em parte a ideia da Wakewinha e deixar este desafio a:

1 - Quem já deu cinco manias, mas ainda tem muitas mais para partilhar.
2 - Quem quer escrever alguma coisa no blogue e não sabe o quê.
3 - Quem quer fazer uma pausa de 10 minutos no trabalho.
4 - Quem quer fazer uma avaliação ao de leve para ver se é necessário uma ida ao psicólogo
5 - Quem tem a mania de fazer forward a todas a correntes e mais algumas que lhe aparecem no PC.

quinta-feira, março 02, 2006

Insulto matemático

Conversava com um assiduo leitor deste blogue sobre os maiores problemas do seu escalão étario. Constatamos que os dois maiores problemas que existem é a dificuldade de autorização por parte dos pais para sairem à noite, e perante a posterior negativa às suas ânsias insulta-los sem cair no gratuito e corriqueiro : “Oh meu caralho, não vês que já tenho 13 anos. És um burro. Não me compreendes.”.
Embora para o primeiro problema, não consiga fazer nada, para o segundo sou capaz de dar uns conselhos. Afinal, um dos objectivos deste tasco, é erradicar o calão da língua dos jovens portugueses, caralho.
Sendo assim vou ensinar o chamado insulto matemático, que demonstra perante quem houve esta pequena frase, de grande conhecimento matemático, que está na presença de um erudito do insulto, e claro, da matemática. Quem a houvir saberá que não vale a pena continuar depois de tão brilhante tirada, porque corre o risco da resposta à resposta ser ainda mais explosiva.
“Olha, meu menino. Tu para mim, pelo menos hoje, não passas de um simples cateto. E se já à uns séculos Pitágoras dizia aos seus netos para mijarem na hipotenusa e cagarem nos catetos, quem sou eu para contradizer o Mestre?”. Convém notar que tal insulto, tem a capacidade de ser bissexual. No caso do alvo de toda a nossa colera ser alguém do sexo feminino, como mãe ou namorada, apenas deve ser substituido o menino por menina, e o “não passas de um simples cateto” por “não passas de uma simples hipotenusa”. Pedia é que não utilizassem esta frase constantemente, para evitar que caia na banalidade.

quarta-feira, março 01, 2006

O Moralista

Lendo grande parte das minhas postas, noto com tristeza, que tenho alguma propensão para tentar dar umas lições de moral, como se fosse o dono da verdade . Desculpem-me. Isto não há-de acontecer nunca mais, prometo. Pelo menos enquanto me lembrar. Hoje e amanhã de certeza que não acontece. E tenho quase a certeza que sexta e sábado também não. Quando notei este ligeiro comportamento desviante eram novehorascinquentaseteminutosetrezesegundos, liguei imediatamente à minha avó para lhe pedir dois favores. Reservar-me o terço para a sessão das nove, que dura das nove às dez e meia e, se ela podia falar com a mestra Dina a ver se o padre Quim faz o favor de me confessar fora de horas. Claro que o meu avô vai ficar fodido, porque isto implica que ele só vai ter o terço das dez e meia à meia noite, como ao saber do minha vontade de me confessar, vai deixar de dizer uma das suas frases preferidas no que ao nosso relacionamento diz respeito: "És um herege".
Mas também não se assustem. Não fiquei triste ao ponto de começar a chorar feito a Cristina Caras Lindas ou o Sampaio nestas últimas férias, desculpem, visita a Timor. Mas posso dizer que o pensamento da Monica Bellucci nua, desapareceu-me por completo dos neurónios quando tomei a real dimensão dos meus actos. Especialmente quando se sabe que este boteco é consultado diariamente por centenas de milhar de pessoas que ainda não têm a personalidade definida*.
Se servir da atenuante ao meu comportamento posso dizer que eu quando tinha dois anos não era nada assim. Havia lá um miudo que se mijava sempre pelas pernas abaixo, e eu nunca me virava para ele e lhe dizia: “Tás a ver a merda que fizeste? Achas bem? Não achas que a tua mãe tem mais que fazer que andar a lavar três pares de cuecas todos os dias. Olha para mim, toma-me como exemplo. Oh pra isto. Sem uma mancha de pingo. Olha o nível.”. Nada, não dizia nada. Podia-me rir, mas nunca, nunca dava lições de moral ao mijão. Desculpem, ao miudo.

* - Desculpem as letras pequenas, mas estou a ver se esta mensagem passa pelo "sistema". Embora o Abrupto seja o blogue mais visitado, o BV tem diariamente dois milhões de visitas, sendo 98% delas pertencentes ao escalão etário dos 9-12. Isto punha-nos no primeiro lugar da blogosfera portuguesa e quiçã internacional, mas infelizmente, "eles" não deixam que esta dura realidade seja conhecida. Remetem o BV a um anonimato atroz e cruel chegando até há ilicita manipulação de pageviews que, mesmo assim, nos põem num cagajézimo honroso lugar.
* - Adenda : No último paragráfo foi acrescentada parte do texto que inexplicavelmente estava em falta. Só estava apartir de "pra isto...". "Eles não nos largam"...